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Sobrevivente (Islândia, 2012)

| domingo, 11 de janeiro de 2015

O mistério do herói incomum constituiu o maior interesse deste pequeno filme islandês. Gulli não é exatamente um anti-herói, como seria o malandro Macunaíma ou o enlouquecido Dom Quixote. Ele é apenas banal, sem qualidades. A vitória de Gulli constitui uma afronta à meritocracia, à noção de destino divino (afinal, outros tripulantes tinham mais a perder, por terem filhos e esposas) e principalmente à ciência. A conquista deste homem é chamada por alguns de heroísmo, mas para os vizinhos, ele é um ser diferente, sobre-humano, e portanto indesejável.


Infelizmente, a complexa discussão do filme ganha uma abordagem incoerente do diretor Baltasar Kormákur. O cineasta hesita entre duas tendências estéticas quase opostas. A primeira delas é o naturalismo completo, com discretos efeitos sonoros durante a cena do naufrágio, ausência de trilha sonora e câmera próxima aos personagens. Mas logo após fazer escolhas pouco sentimentais, entra em cena uma montagem paralela melodramática, mostrando a esposa de um dos pescadores cheirando saudosamente a camiseta do marido, e o próprio Gulli boiando nas águas, prometendo a Deus ser uma pessoa melhor caso sobreviva. Kormákur oscila o tempo inteiro entre o minimalismo e o espetáculo, a razão e a emoção.

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O Homem das Multidões (Brasil, 2012)

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Para representar a vida entediante do protagonista, a fotografia opta por cores pouco saturadas, em tons de cinza e bege. Para mostrar que ele não tem outros prazeres na vida, este metroviário passa todos os dias em casa, com uma camiseta do sindicato dos metroviários, e o único objeto na mesa de sua casa é a miniatura de um vagão de metrô. Quando ele limpa o chão da casa, fala sozinho sobre os trens bala. Igualmente, a direção de arte opta pelos indícios mais visíveis da solidão: ele tem em sua casa apenas um copo, pouquíssimos móveis, e não tem contato com a tecnologia.

Sua parceira neste filme, Margô (Sílvia Lourenço), é igualmente solitária, mas está inserida na ideia de “multidão solitária” de David Riesman: ela sente que se integra, participa do consumo de massa, usa celulares, computadores e todos os aparatos disponíveis, mas tem uma curiosa consciência de sua tristeza, quando afirma algo do tipo “É engraçado, a gente conhece tanta gente na Internet, mas ninguém na vida real, né?”. Como se esta situação já não estivesse suficientemente clara, os raros diálogos tratam de torná-la ainda mais evidente. Seguem imagens de ruas vazias à noite, reflexos de rostos tristes nas vidraças, Juvenal olhando para o vazio, Margô pensativa diante das imagens de câmeras de segurança.

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Mataram Meu Irmão (Brasil, 2013)

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O filme adota uma abordagem íntima e pessoal. Nada de recortes de jornal, de conversas com policiais. Os entrevistados são os outros irmãos do diretor, a tia, um amigo próximo, o primo, a ex-esposa. O primeiro grande mérito destas conversas é o distanciamento: como os fatos ocorreram há muitos anos, os envolvidos conseguem falar a respeito com uma mistura saudável de razão e emoção. O segundo mérito é a naturalidade das entrevistas. Os ambientes não são posados, nem as luzes construídas: os familiares falam dentro das cozinhas e quintais de suas casas, enquanto colocam um bolo na mesa ou lavam a roupa. A proximidade do cineasta com estas pessoas faz com que todos se sintam à vontade, permitindo que vizinhos invadam os depoimentos e participem também.

A abordagem sincera difere Mataram Meu Irmão de tantos outros documentários autobiográficos sobre membros da família dos diretores. Ao invés de fazer uma homenagem, de prestar justiça ao falecido, Burlan expõe as fragilidades de sua família com uma honestidade brutal. 

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O Exercício do Caos (Brasil, 2012)

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Este drama maranhense é um dos raros filmes de autor que buscam o esvaziamento do gênero e a purificação da forma. Tudo é reduzido ao mínimo necessário: quase nada de diálogos, poucos cenários, personagens em número limitado e sem nome, poucos conflitos, raros efeitos sonoros, fotografia noturna simulando a luz natural. A economia estética e narrativa proposta pelo diretor Frederico Machado beira a opção eclesiástica, tentando atingir a virtude pelo retorno ao essencial.

Este certamente não será um filme para todos os gostos – e nem tem pretensões de ser. Ele dificulta o que poderia ser mais simples (alguns diálogos a mais, por exemplo, poderiam diferenciar as três irmãs, idênticas em personalidade), mas fica evidente que o cineasta toma uma postura política e ideológica ao preferir as sensações à razão. 

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Triunfo (Brasil, 2014)

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O documentário adquire um tom curioso, como se o som propusesse uma homenagem a um grande homem, enquanto a imagem retrata um homem comum. 

Com pouca pesquisa e ainda menos imagens de arquivo, Angeli contenta-se em retratar Triunfo nos dias de hoje, em algumas festas, enquanto mostra imagens sobre a cultura negra em geral, sobre os bailes de antigamente. 

O cineasta poderia fazer um ótimo uso do próprio Triunfo, que concede entrevista ao filme, mas se contenta com os comentários mais banais do artista, dando menos tempo de tela a ele do que aos elogios de Thaíde e outras personalidades do cenário musical. Assim, fica a incômoda sensação de que Nelson Triunfo é um personagem coadjuvante no documentário.

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Mesmo Se Nada Der Certo (EUA, 2014)

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Nesta comédia romântica, todos os personagens centrais são perdedores: Dan (Mark Ruffalo) é um produtor musical falido e pai divorciado, Gretta (Keira Knightley) levou um fora do namorado, Steve (James Corden) é um talentoso músico que vive das moedas que ganha na rua, Violet (Hailee Steinfeld) é uma adolescente pouco popular e ignorada pelos garotos da escola, sua mãe, Miriam (Catherine Keener) apostou tudo em uma paixão fugaz que não vingou. Mas ao contrário das grandes comédias de Hollywood, a ideia não é fazer com que se tornem famosos e vencedores, e sim garantir que encontrem satisfação na vida que têm. Esta é a primeira e bem-vinda originalidade de Mesmo Se Nada Der Certo.

A estrutura pode tender ao romance e ao melodrama, mas evita sabiamente esses dois caminhos. Não, ninguém vai aprender a ser uma pessoa melhor. Não, ninguém vai se tornar milionário e reconhecido como o melhor de sua geração. As transformações são mínimas, internas. Tamanha proximidade com os personagens se traduz em ótimas cenas, quando os atores parecem de fato estar se divertindo muito juntos, certamente com alta dose de improvisação nos gestos e diálogos. 

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O Melhor Lance (Itália, 2013)

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O Melhor Lance chama a atenção por sua produção polida, elegante, aristocrática. Os ambientes da mansão são mostrados com enquadramentos suntuosos, como se a câmera estivesse diante de uma obra preciosa. A iluminação é sempre perfeitamente recortada no rosto de Virgil, mesmo dentro de porões e sótãos, dando uma impressão de qualidade que beira o artificial. 

Depois de tanto suspense e tantas promessas (de amor, de doença, de segredos, de riqueza), a narrativa apresenta o seu desfecho. A estrondosa reviravolta final é tão previsível quanto inesperada: ela vinha sendo anunciada pelos próprios personagens, várias vezes, mas era tão absurda que exigia grande credulidade do espectador para ser considerada viável. 

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Instinto Materno (Romênia, 2013)

| segunda-feira, 5 de janeiro de 2015


O diretor Calin Peter Netzer esboça uma ácida crítica das relações de classe, incluindo cenas implacáveis com a empregada doméstica da protagonista. A hipocrisia burguesa atinge o ápice quando Barbu atropela um garoto de 14 anos de idade, e não presta socorro. O menino morre. Sem o menor remorso, todos exploram o acidente da maneira mais conveniente: Cornelia deseja ser mais uma vez indispensável na vida do filho, utilizando os seus contatos e o seu poder de suborno, e o filho aproveita para ser tratado como vítima traumatizada, como se fosse ele o grande injustiçado no caso.

É curioso que a narrativa seja inteiramente centrada em pessoas arrogantes, grosseiras, desagradáveis. Para estabelecer uma distância em relação às suas atitudes, mostrando que não as defende, a direção parte para um esboço intermediário entre a crítica e a caricatura: as mulheres estão sempre impecavelmente vestidas em seus casacos de pele, e Cornelia não hesita a alterar o depoimento do filho, na frente dos policiais. O mimado Barbu pede a uma enfermeira que abra uma nova seringa na sua frente quando vai tirar sangue. “Eu pago”, ele insiste. A família em questão é fútil, e o cineasta reforça este traço sem recorrer ao humor, mas de maneira a condenar o seu comportamento desumano diante da tragédia.

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A Marca do Medo (EUA, 2014)

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A Marca do Medo segue uma postura de cinema pós-moderno, em que o acréscimo de elementos pretende causar ainda mais medo, ainda mais terror. Para dar conta de tanta diversidade, o filme traz um espírito maligno pop, capaz de assumir diferentes formas e potências: ora ele é apenas uma presença, depois é uma sombra e mais tarde passa a morder pessoas; ora ele encarna em bonecas, ora incendeia o colchão onde se deita. Às vezes representa perigo apenas para a possuída Jane Harper (Olivia Cooke), em outros momentos ele ataca todo mundo. O “mal”, neste filme, não tem coerência: ele pode agir de qualquer maneira, quando bem entender.

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São Paulo em Hi-Fi (Brasil, 2013)

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São Paulo em Hi-Fi, de certa maneira, começa a propor uma oportuna e importante documentação audiovisual do que seria a cultural gay brasileira, e sua evolução histórica.
Seria impossível aprofundar um conceito tão abrangente em um único projeto, e o diretor Lufe Steffen inteligentemente opta por um tema preciso, mas capaz de representar uma cultura mais ampla: a noite gay paulista dos anos 1960, 70 e 80. A investigação trata essencialmente das boates e discotecas da época, com suas decorações, músicas, drag queens e travestis. Mas ao se falar da dança e da performance, destaca-se também a associação com os cafés, cinemas e principais ruas onde viviam e transitavam gays, lésbicas, travestis e transexuais da época.

Este retrato histórico poderia ser didático e expositivo, mas o cineasta prefere uma abordagem afetiva. São apresentados dezenas de indivíduos relatando as suas lembranças mais queridas, vergonhosas ou marcantes. É um prazer assistir a tantos sorrisos enquanto essas pessoas evocam um período tão importante de suas vidas. 


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Pinta (Brasil, 2013)

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Talvez não exista uma narrativa ou linha condutora neste experimento episódico, mas como a interpretação do espectador sempre passa por algum esforço de ordenação, pode-se dizer de maneira geral que Pinta traz um alegre e livre estudo sobre o potencial criativo dos corpos. Alguns momentos podem ser facilmente descritos como dança contemporânea, porém com alterações sensíveis em relação a um espetáculo artístico comum: um dançarino faz um strip-tease em um beco, sem descolar o corpo do muro descascado; um dançarino se exercita no pole dancing, com uma sunga brilhante; um grupo executa uma coreografia dentro de uma piscina vazia, enquanto um rapaz tenta atravessar o palco com uma samambaia na cabeça.

Pinta consegue ser ao mesmo tempo erótico e leve, grotesco e respeitoso, popular e erudito. Alencar aplica uma composição rígida aos enquadramentos, à profundidade de campo, aos movimentos de câmera. Este é um raríssimo filme capaz de filmar genitálias sem fetichização, corpos sem idealização. As pessoas são comuns, os movimentos são banais, e por isso parecem tão orgânicos e verdadeiros.

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muDanças (Brasil, 2014)

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É difícil falar sobre um filme como muDanças. Evidentemente, esta é uma produção minúscula, feita com poucos recursos e pouco apoio institucional. Por isso mesmo, surge a vontade de apoiar o projeto, aplaudir o fato de ele ganhar as telas grandes, ao lado de outros filmes muito maiores. Afinal, porque o circuito comercial e o circuito de festivais estariam restritos às grandes produções? Todas as obras deveriam ter a mesma oportunidade de ser vistas, certo?
Quando se assiste ao filme, no entanto, fica difícil sustentar a boa vontade democrática. A produção é muito, muito ruim - não pela falta de orçamento, mas pela ausência de reflexão sobre estas condições. O diretor Emer Lavinni não busca superar as dificuldades com o uso criativo do estilo e do conteúdo. Pelo contrário, ele tenta emular os grandes romances, simplesmente ignorando o fato de não ter recursos nem conhecimento cinematográfico para tal. O resultado é, no mínimo, constrangedor.


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I'm a Porn Star (Canadá / EUA, 2013)

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O início deste documentário é didático e acelerado, com um narrador resumindo décadas de cinema em duas ou três frases, do tipo “Nos anos 1940, tal filme revolucionou a indústria; nos anos 1960, a liberação dos costumes permitiu tal mudança”. A narração pode apresentar algumas pistas de compreensão histórica, apesar da fraca contextualização, mas esta aula superficial agrega pouco conteúdo ao filme, e não ajuda a esclarecer o panorama que segue.

A sequência é ainda pior. Se o início parecia veloz, os numerosos depoimentos adotam uma rapidez espantosa. Os atores e produtores do pornô gay falam, falam e falam, sobre os mais diversos tópicos, e a montagem corre para apagar qualquer respiração entre as frases, qualquer momento de hesitação. As palavras se atropelam, as ideias se sobrepõem, os depoimentos se sucedem sem que David conceda ao espectador tempo de respirar, refletir, absorver as imagens. Interessam apenas o discurso, as palavras, condensadas com uma pressa injustificável.

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Fourplay (EUA, 2012)

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Quatro curtas-metragens integram o curioso Fourplay, sempre com um tema em comum: a descoberta de novas formas de prazer sexual. No comando de todas as histórias, o diretor Kyle Henry consegue adequar tons muito distintos ao mesmo tópico, do drama conjugal à comédia ingênua, do suspense ao pastelão grotesco. Não existe um discurso único defendido sobre o prazer, e sim uma pluralidade de formas e ideias agenciadas de maneira voluntariamente caótica. Henry parece sugerir que tudo vale, que toda a experiência é positiva.

O filme poderia despertar escândalo pelas imagens abordadas (afinal, dificilmente um artista retrata uma imagem de sexo gay com Jesus e sai ileso). Mas Fourplay não se leva a sério, adotando um tom de absurdo que remete ao distanciamento, ao sonho, ao ideal. Nenhum destes fatos parece de fato estar acontecendo, podendo constituir unicamente delírios eróticos dos personagens envolvidos. Tamanho onirismo permite que o diretor retrate praticamente qualquer tema - o que constitui a sua liberdade, e também a sua fraqueza.

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What's the T? (Filipinas, 2013)

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Um dos maiores méritos deste filme é justamente a proximidade do diretor com as entrevistadas. As cinco transexuais em destaque parecem muito confortáveis para dizer o que pensam, sem querer impressionar. Elas mostram as suas casas desarrumadas, as suas aulas chatas na universidade, o escritório banal em que trabalham. Existe uma sensação de rotina comum, que poderia ser semelhante à da maioria de pessoas cisgênero dentro das salas de cinema. Isto é algo bem-vindo em um retrato da comunidade trans, frequentemente ilustrada sob uma ótica fetichista ou vitimizante.

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Out in the Line-Up (Austrália / EUA, 2013)

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No início, este documentário parece se ater à constatação do óbvio: existe homofobia no esporte, inclusive no surfe. Vários atletas não podem assumir a sua homossexualidade, com medo de serem rejeitados pelos demais e de verem as suas carreiras profissionais afetadas. Por isso, a grande maioria do(a)s surfistas gays finge namorar pessoas do sexo oposto ou simplesmente esconde o assunto. Para embasar o discurso, o diretor Ian Thomson entrevista alguns dos mais famosos surfistas gays e heterossexuais pelo mundo.

Aos poucos, o filme começa a levar o seu discurso para caminhos mais complexos. Primeiro, questionam-se as origens da homofobia. Sem a ambição de fornecer uma resposta única à questão, Thomson ao menos apresenta boas hipóteses, como a mercantilização da sensualidade de seus praticantes promovida pelo esporte. De acordo com o filme, patrocinadores e revistas de surfe - dois grandes responsáveis pela sobrevivência econômica do esporte - exploram imagens erotizadas dos surfistas, forçando homens a corresponderem ao ideal viril de conquistadores brutos, e as mulheres a corresponderem ao ideal de sedutoras. De qualquer modo, o olhar externo parece ser sempre masculino, indicando com quem este espectador heterossexual quer se identificar, e com quem gostaria de se relacionar. Este funcionamento não seria exclusivo do surfe, mas operaria de modo particularmente opressor neste esporte.


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Khumba (África do Sul, 2013)

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Esta produção condensa tantos clichês narrativos que chega a parecer uma paródia de filmes infantis. Em 80 minutos, a história consegue incluir discussões sobre o turismo nas savanas, lições de vida reveladas num último suspiro, cientistas charlatões, cultos a águias mágicas, revelações místicas durante delírios no deserto, martírios, sacrifícios e mesmo uma incômoda cena de bullying pós-parto – provavelmente a primeira do cinema. A história atira para todos os lados, combinando diversas temáticas, valores e conflitos, até se transformar em um emaranhado sem sentido.

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Hermano - Uma Fábula Sobre Futebol (Venezuela, 2010)

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O diretor e roteirista Marcel Rasquin conduz esta história clássica por caminhos tortuosos. Este é o primeiro longa-metragem do cineasta, e a insegurança se transmite na tela. As cenas alternam belas imagens com outras muito amadoras, combinando recursos e linguagens um tanto incompatíveis. Ora o diretor usa planos fixos e longos, ora passa a acelerar os planos em situações semelhantes. Em alguns momentos ele aproveita a agilidade da câmera no ombro, depois prefere os planos elaborados com gruas. Às vezes ele decide acompanhar os jogos de futebol inteiramente, e em outras cenas, utiliza a montagem paralela apenas para retardar o conflito principal, sem acrescentar tensão ou emoção.

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Muppets 2 - Procurados e Amados (EUA, 2014)

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Muppets 2 – Procurados e Amados traz outros números musicais, mas desta vez desprovidos de ironia, apenas ternos e alegremente paspalhões. Estes momentos são o ponto fraco do diretor James Bobin, que se torna bastante engessado nas cenas musicais e oníricas, embora demonstre eficiência e timing cômico nos diálogos. O talento do diretor se sobressai nas cenas realistas, como o roubo de quadros em um museu ou as intrigas dentro de um trem em movimento. A narrativa deslancha bastante quando assume o seu lado de ação e paródia, e emperra quando insiste em ser dócil e turística, passando de maneira forçada por várias cidades europeias - um golpe de marketing evidente da produção.

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Vizinhos (EUA, 2014)

| quinta-feira, 19 de junho de 2014

O conflito principal de Vizinhos é claramente apresentado nos trailers e na sinopse. Dois vizinhos estão em guerra: um deles é um jovem pai de família, em busca de tranquilidade, e o outro é um universitário popular, em busca de festas e mulheres. Além de confrontar esses dois estilos de vida, esta comédia vai além, e brinca com duas visões da masculinidade, seja o ideal de vida do jovem solteiro (desejado pelas mulheres, venerado por outros homens, livre e impulsivo), seja o ideal de vida do adulto casado (com esposa bela, vida sexual frenética, ainda belo e garanhão). No caso, os dois homens falham completamente em atingir esse ideal. O humor hilário e politicamente incorreto do filme surge da quebra desta idealização.

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Coração de Leão - O Amor Não Tem Tamanho (Argentina, 2013)

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O fato é que este filme baseia a sua única originalidade no pressuposto (ele próprio já um pouco preconceituoso) de que uma mulher bela e de estatura comum dificilmente se apaixonaria por um anão. O nanismo não é tratado de maneira natural, muito pelo contrário. Toda a direção é pensada de maneira a ressaltar a diferença de tamanho entre os dois, como na cena em que almoçam juntos, e o enquadramento compara-os lado a lado, sentados em cadeiras iguais - os pés dela firmes no chão, os dele balançando no ar. Quando León vai tropeçar em alguém na rua, uma musiquinha antecipa alegremente o fato; quando ele fica preso no alto de um móvel da cozinha, a montagem faz a cena durar uma eternidade, aparentemente para deixar o público rir à vontade.

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A Culpa é das Estrelas (EUA, 2014)

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Por ser um melodrama, é esperado que o romance apele para as emoções do público, partindo da identificação com os personagens. Mas ao contrário dos típicos “filmes para chorar”, que inventam sucessivos conflitos para tornar a história mais lacrimosa, este projeto anuncia desde o começo a único (e imenso) problema dos protagonistas: o câncer. Todos os conflitos serão decorrentes desta doença, sem tornar o calvário da dupla maior do que o necessário apenas para despertar o choro. Por isso, o projeto parece bastante honesto, e menos manipulador do que a grande maioria das obras do gênero.

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Oldboy - Dias de Vingança (EUA, 2014)

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Para dizer de maneira bem clara, Spike Lee transformou o estilo anárquico e niilista de Park Chan-wook em uma obra limpinha, linear e moralista. Os personagens tornaram-se mocinhos e vilões: o protagonista, Joseph (Josh Brolin), é retratado como o maior canalha do mundo antes de ser preso. No entanto, logo depois, decide se tornar uma pessoa melhor para a sua filhinha lá fora (violinos e flashbacks românticos entram em cena). Marie, a garota que o ajuda (Elizabeth Olsen), também fez coisas ruins em sua vida, mas hoje trabalha em um centro de apoio católico e tenta fazer o bem. Esta virou uma história de redenção, sobre pessoas que buscam se tornar melhores para Deus, para os filhos e para os maridos e esposas.

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Malévola (EUA, 2014)

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A experiência de assistir a Malévola é bastante curiosa. Por um lado, esta ainda é a história bem conhecida da Bela Adormecida, com os mesmos elementos consagrados (maldição da vilã, dedo espetado, sono da princesa, beijo salvador). Por outro lado, a fábula nunca tinha sido vista dessa maneira, com um festival de imagens digitais, efeitos sonoros e espetáculo pirotécnico. Esta é mesmo uma versão moderna da história, como anunciaram os produtores, mas a forma está mais modernizada do que o conteúdo.

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Setenta (Brasil, 2014)

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A vantagem deste retrato pessoal sobre a época da ditadura é poder chegar mais perto dos personagens, e perceber nas entrelinhas a distância que estes militantes tomaram em relação às suas atitudes quando jovens. É um prazer observar este grupo culto e desenvolto discorrer tão bem sobre as suas motivações, ao mesmo tempo em que refletem sobre a (im)possibilidade da luta armada nos dias de hoje. Neste sentido, Setenta é menos um filme histórico do que uma obra política – embora não partidária. A diretora descreveu seu trabalho como “não ideológico”, um termo contestável, mas significativo da intenção de permanecer perto das individualidades, e não do discurso coletivo. Neste sentido, a obra se aproxima da estrutura do diário, do álbum de retratos.

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Estudante em teoria de cinema, pesquisador em história da crítica e editor do site AdoroCinema.
 

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