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O Massacre da Serra Elétrica 3D - A Lenda Continua (EUA, 2012)

| sábado, 18 de maio de 2013

O que a versão de 2013 incorporou, com um prazer manifesto, são os códigos do teen thriller, subgênero que teve sua fase áurea com Pânico e Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado, e que andava meio desaparecido no terror atual. Estes filmes adolescentes costumavam mostrar um roteiro povoado apenas por jovens, todos belos, siliconados e musculosos, se possível usando roupas mínimas, e tomando decisões pouco inteligentes nas horas erradas: as moças sobem as escadas da casa ao invés de fugir pela porta, os mocinhos escorregam na escada quando o vilão está chegando, o grupo de amigos aceita dar carona para o primeiro desconhecido que passa. Enquanto isso, a câmera foca nos corpos femininos correndo, ou então nos abdômens masculinos.

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2 Mais 2 (Argentina, 2012)

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Esta premissa permitiria todos os tipos de piadas vulgares e trocadilhos de conotação sexual, mas o roteiro surpreende ao tratar seu tema com respeito e naturalidade. Aos poucos, o casal com vida monótona e baixa frequência sexual começa a passar por diversos questionamentos compreensíveis diante da opção de troca de casais: dúvida, ciúme, questionamento sobre a virilidade do homem que “cede sua mulher” ao outro, hesitações de ordem moral, o medo de perder a amizade etc. Os diálogos, realistas, estão recheados de hesitações, com personagens interrompendo uns aos outros, corrigindo-se e gaguejando, como poderia se esperar diante de tal momento de instabilidade.

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O Homem Que Ri (França, 2012)

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Em uma das primeiras cenas deste filme, um garoto com o rosto coberto por um véu caminha sob uma nevasca pesada, carregando uma criança pequena no colo. Um homem abre a porta de sua casa e vê o menino. Ele não questiona o nome dele, nem de onde vem, perguntando apenas “Você não deve ter onde morar, certo? Pode morar comigo”. Segundos depois, o garoto está dentro da casa. O homem olha para a garotinha no colo do menino, percebe que ela é cega e determina que ela será assim pelo resto da vida. Mais alguns segundos e os três se abraçam como uma família feliz, com promessas de cuidarem eternamente um do outro. Desde o início, percebe-se a falta de ritmo em O Homem Que Ri, como se estivéssemos assistindo a uma longa história com o botão “acelerar” do controle remoto ativado.

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O Último Exorcismo - Parte II (EUA, 2013)

| terça-feira, 14 de maio de 2013

A obsessão sexual domina O Último Exorcismo – Parte II, com um resultado no mínimo inesperado. A virginal e religiosa Nell (Ashley Bell) começa a experimentar desejo por homens, mas não cede à tentação (“Garotos não!”, ela grita a um rapaz que tenta beijá-la). A ideia do sexo começa a ocupar seus pensamentos, e se traduz em alguns dos melhores momentos do filme: trabalhando como camareira, a jovem passeia por um corredor de hotel, enquanto ouve os altos barulhos que ecoam dos quartos. Quase todos são frases de amor, ou gemidos de prazer. Em outro momento, a protagonista se excita com o alto ruído de uma relação sexual no quarto ao lado – e ao encostar o ouvido na parede, o demônio penetra-a pelas orelhas.

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Cores (Brasil, 2013)

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A primeira impressão diante de um filme intitulado “Cores”, e realizado em preto e branco, é de estarmos diante de uma obra hermética, pretensiosa, como algumas do dito novíssimo cinema brasileiro (Mãe e Filha, Sudoeste etc.). Felizmente, o filme é mais acessível do que aparenta, ultrapassando a simples malícia do título. O preto e branco também poderia ter sido escolhido para ressaltar dois mundos radicalmente opostos, mas o que temos aqui é um conjunto bastante homogêneo de personagens e pontos de vista. Com pouco significado extraído do título, talvez seja melhor abandonar esta pista como porta de entrada para o filme – afinal, preto, branco e cinza também são cores...

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Doméstica (Brasil, 2013)

| quarta-feira, 1 de maio de 2013

Alguns dos melhores documentários brasileiros recentes buscaram na relação entrevistador-entrevistado a equivalência do olhar. Em Serras da Desordem, Andrea Tonacci dava aos índios a câmera e deixava que se retratassem; em Pacific, Marcelo Pedroso se apropriava de imagens previamente filmadas por passageiros de um cruzeiro de luxo. O olhar do diretor estava presente, como não poderia deixar de estar, pela seleção e orquestração das imagens na montagem. Doméstica, o belíssimo documentário de Gabriel Mascaro, dá um passo adiante e fornece a câmera não às empregas domésticas, mas aos filhos dos patrões.

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Um Bom Partido (EUA, 2013)

| sábado, 27 de abril de 2013

Desde as primeiras cenas, que contrastam o antigo sucesso do jogador de futebol George com o fracasso dele atualmente, o espectador percebe que esta será uma típica história de redenção. Muitas pessoas (e muitos filmes) acreditam que, para curar a arrogância de um homem rico, nada como um bom banho de humildade, fazendo-o perder tudo o que tem para se reconstruir novamente. É a velha ideologia da pobreza como forma de pureza.

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O Futuro (EUA, 2011)

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A história exclui do horizonte a noção de mundo exterior, tão importante no gênero “indie”. Na maioria dos casos, o cinema independente norte-americano apresenta personagens solitários que se batem contra um sistema, contra o olhar reprovador da maioria. Neste caso, é fácil se identificar com esses heróis anônimos. Já o filme de July não mostra nada além do casal, em sua casa, tomando decisões moralmente questionáveis. Existe uma grande sensação de vazio, tanto pelas ruas desertas, pela ausência de sons, quanto pela falta de rumos dos personagens. Como indica a presença do gato, a morte está próxima. Não é possível fazer mais nada, e os personagens arrastam-se de um lado para o outro, sem atos de bravura, sem buscar a compaixão do espectador.

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Querida, Vou Comprar Cigarros e Já Volto (Argentina, 2011)

| sábado, 20 de abril de 2013

Este tipo de história parece ser o sonho de qualquer roteirista, que se sente capaz de inventar as reviravoltas mais deliciosamente absurdas, mais mirabolantes. Mas estes roteiros não são pensados em termos de produção: haverá dinheiro para tudo isso? Como representar tantas artimanhas em imagens? Como conduzir a atenção do espectador? Esta obra argentina deve ter sido divertida de inventar, entre amigos provavelmente eufóricos e criativos, mas torna-se uma experiência angustiante de assistir.

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A Morte do Demônio (EUA, 2013)

| quinta-feira, 18 de abril de 2013

As refilmagens de clássicos do cinema sempre chegam às salas com expectativas negativas. Por um lado, paira a impressão de que o empreendimento não teria nenhuma vocação artística, apenas a vontade de aproveitar a fama de outro filme para faturar alguns milhões. Por outro lado, a refilmagem basicamente oferece ao espectador algo que ele não pediu – a nova versão de um produto que o satisfaz muito bem no formato original. Levando esses aspectos em consideração, e com grande consciência do peso de seu material de origem, A Morte do Demônio é um projeto muito bem resolvido.

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O Carteiro (Brasil, 2011)

| sábado, 13 de abril de 2013

O término da trupe dos Trapalhões, responsáveis por alguns dos maiores sucessos do cinema nacional, deixou uma lacuna na produção cinematográfica recente. Com o fim de Didi, Dedé e companhia, sumiu também uma visão ingênua, leve e romântica da sociedade. As novas comédias populares (De Pernas pro Ar, E Aí... Comeu? etc.) abraçam sem pudores o sexo e a modernidade, mas os filmes dos Trapalhões ainda apostavam na visão pura e inocente dos indivíduos, representada pelo humor burlesco e pelas figuras infantis. A estreia de O Carteiro tenta resgatar de certa maneira esta tradição.

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A Criada (Chile, 2009)

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Talvez a discussão em torno da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) das empregas tenha encorajado a distribuidora Esfera Cultural a resgatar este belo filme de 2009, que só tinha sido exibido nos cinemas brasileiros em festivais, com o título A Babá. A produção se passa no Chile, mas espelha igualmente bem a relação da classe média brasileira com as empregadas domésticas.

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Titeuf - O Filme (2012)

| sexta-feira, 29 de março de 2013

Entre as animações atuais feitas pelos grandes estúdios americanos, é recorrente a preocupação em fornecer lições às crianças, além de diverti-las. Muitos filmes ensinam a respeitar os pais, amar o próximo, valorizar a ecologia etc. Talvez os pais apreciem este valor adicional acrescentado à experiência cinematográfica, mas o fato é que o cinema nunca teve obrigação moral, nem vocação artística para servir como instrumento útil para quem quer que seja – nem para as crianças. Neste sentido, é ótimo ver uma obra como Titeuf – O Filme.

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O Dia que Durou 21 Anos (Brasil, 2013)

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Enquanto alguns documentários históricos desejam informar ou persuadir, preocupando-se mais com a pedagogia do que com a estética, O Dia que Durou 21 Anos chama a atenção pelo próprio uso da linguagem cinematográfica. O emprego de fotografias de arquivo animadas, de trilha sonora pulsante durante as imagens de manifestação, ou ainda a montagem acelerada sugerem uma preocupação em seduzir o espectador, entretê-lo. Este é um dos raros filmes sobre a ditadura que oferece ao público mais do que exige dele.

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Caverna dos Sonhos Esquecidos (2010) e Sem Sol (1983)

| sábado, 23 de março de 2013


Texto publicado inicialmente no site Outras Palavras.


Caverna dos Sonhos Esquecidos (2010) e Sem Sol (1982), dirigidos por Werner Herzog e Chris Marker, respectivamente, partem de temas distintos: o primeiro investiga as pinturas rupestres mais antigas da História, descobertas na gruta de Chauvet, na França. Já o segundo mostra os relatos de viagem de um homem anônimo, que percorreu o Japão, Guiné-Bissau e outros países, estabelecendo reflexões sobre as culturas e ritos locaisApesar dos pontos de partida distintos, a obsessão que perpassa os dois filmes, e de certa maneira a filmografia inteira de ambos os cineastas, é a mesma: o papel da memória e a representação da natureza em imagens.

Isto não é um leão

Herzog possui um interesse manifesto pelas artes, pela história e pela arqueologia, mas o que realmente impulsiona o cineasta a adentrar a caverna francesa é a busca de uma nova possibilidade de representação. Segundo suas próprias palavras, o grande interesse nas pinturas pré-históricas, com seus animais e desenhos de caça, é poder imaginar como os homens viviam naquela época, e como representavam sua própria rotina através dos rabiscos nas paredes. Diante da impressão de movimento dos animais, ele exclama: “É quase um protocinema…”

cave_of_forgotten_dreams_movie_image_Werner_HerzogO cineasta convida diversos tipos de técnicos para o local, de historiadores de arte a paleontólogos, e mesmo um criador de perfumes. Este último, a partir dos cheiros encontrados na gruta, tenta conceber o cotidiano dos humanos de antigamente. Ora, o cinema contemporâneo pode não reproduzir o odor em sessões, mas as conclusões deste especialista em cheiros, embora não sirvam como documento científico, funcionam como começos possíveis de uma nova história – são como sonhos. Por mais que os cientistas afirmem com certeza a data em que foi feito cada desenho, ou o movimento preciso dos homens paleolíticos ao desenhá-los, Herzog prefere questioná-los e abraçar a incerteza, o decalque platônico entre o real e sua representação, inerente a qualquer imagem.

Quando encontra um jovem arqueólogo, o diretor torna-se fascinado pelos sonhos do rapaz, que passou a dormir e vislumbrar leões após a visita à caverna. O cineasta pergunta: “Mas você sonhava com leões verdadeiros, ou desenhos de leões?”. “Os dois”, responde o outro. Esta é a verdadeira fascinação deste magnífico documentário, Caverna dos Sonhos Esquecidos: compreender o que se perde, se ganha ou se transforma na apreensão artística em imagens.

Perder o esquecimento

Sol 1Sem Sol, de Chris Marker, começa com a seguinte narrativa: “A primeira imagem de que ele me falou era a de três crianças numa estrada na Islândia, em 1965. Ele disse que, para ele, esta era a imagem da felicidade, e também que ele tinha tentado várias vezes combiná-la com outras imagens – sem sucesso. Um dia – ele disse –  eu vou colocar esta imagem no início de um filme, seguida por uma longa faixa preta. Se as pessoas não virem a felicidade na imagem, pelo menos elas verão o preto”.

Como a caverna de Herzog, os mitos de Marker são representações de fatos passados, memórias cristalizadas em gestos humanos. A narração inicial separa dois aspectos da percepção humana: a evidência concreta (qualquer um pode constatar, diante de uma tela preta, que se trata de uma tela preta), e a interpretação dependente do tempo e do espaço (nem todas as pessoas vão interpretar a imagem como símbolo de felicidade, algumas talvez vejam o tédio, a apatia etc).

O que interessa ao francês é a passagem de uma instância semiológica à outra. Quando é que um fato (a presença de três garotinhas) torna-se uma interpretação (a imagem da felicidade)? Marker seleciona imagens de diversas cerimônias no Japão, que vão de homenagens à alma de bonecas quebradas aos templos dedicados aos gatos perdidos. Os lugares estão povoados por lápides, estátuas, pedras (como as pedras das cavernas de Chauvet), mas as pessoas veem nestes símbolos mais do que pedras. Para elas, trata-se de uma possibilidade de contato com o além, uma comunicação transcendental. Não é por acaso que tanto Herzog quanto Marker flertam com o discurso religioso: os filmes de ambos partem da realidade concreta para compreender significados e valores abstratos – que permeiam tanto a filosofia quanto as crenças metafísicas.

Sol 2O título do filme, Sem Sol, remete a uma obra imaginária, cuja ideia é apresentada ao espectador pela narradora. Esta seria uma história diferente de todos os roteiros em que personagens perdem a memória. Pelo contrário, a trama apresentaria um homem que perde o esquecimento, que passa a se lembrar de tudo. Um homem que não pode mais interpretar as lembranças de acordo com suas experiências sociais, porque tem à sua disposição uma série de fatos objetivos, inquestionáveis. Este homem está fadado a uma sina, à perda do tempo, do espaço, e de sua própria subjetividade.

Jacarés albinos

Após visitar a caverna, o filme de Herzog toma um rumo inesperado ao adentrar uma estufa próxima da gruta de Chauvet, onde foram criados artificialmente jacarés de todos os tipos. O cineasta observa dois jacarés albinos, diferentes dos demais. Logo, ele imagina se os humanos, diante das pinturas rupestres, não são como esses jacarés, incapazes de compreender a natureza que os cerca: serão eles os diferentes, ou todos os demais? Como estes animais interpretam os jacarés comuns ao redor? O que pensariam do mundo exterior, se saíssem da estufa?

Caverna 4A cena supõe que o próprio ser humano vive preso em sua caverna, interpretando e representando subjetivamente o mundo ao redor. Talvez todos estejamos errados. Talvez estejam erradas as conclusões dos cientistas, de que os leões pré-históricos não tinham jubas, porque as pinturas também não tinham. O que garante que os homens paleolíticos simplesmente não tenham esquecido de pintá-las, ou tenham preferido, por uma razão qualquer, deixar este detalhe de fora do desenho? Não há certeza. Da mesma maneira, Marker capta os rituais asiáticos e africanos e, para livrar-se do peso documental dos fatos, transforma-os em rabiscos digitais, alterados pelo computador, “para mostrá-los como verdadeiramente são: apenas imagens”.

Nestes dois filmes complexos e perturbadores, o procedimento é o mesmo: apreender a natureza, interpretá-la, analisar suas entranhas, microscopicamente, para depois admitir, em sua pequenez humana, que ainda não conhecemos tudo, que a imagem nunca vai traduzir ou conter o real. Esta postura agnóstica – ou simplesmente racional, cética – é de um profundo humanismo, porque valoriza acima de tudo o conhecimento, tanto pela ciência quanto pela arte.

Sol 3Caverna dos Sonhos Esquecidos e Sem Sol terminam em um tom agridoce, misto de sucesso e fracasso. Os diretores conseguiram extrair de suas imagens (a gruta para um, os rituais para outro) diversas reflexões valiosas sobre a natureza do homem, da arte, do tempo e da memória. Mas este conhecimento nunca os levou à Verdade, com um “v” maiúsculo, esta busca filosófica incessante. Ambos os filmes são concluídos com questões retóricas, abertas, sobre seu próprio valor. Esta é a sina da arte metalinguística, filosófica, reflexiva: a cada vez que o artista aproxima-se da realidade, ela lhe escapa por entre os dedos.
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Fora do Figurino - As Medidas do Jeitinho Brasileiro (Brasil, 2013)

| sexta-feira, 22 de março de 2013

Há um problema ideológico, ou mesmo ético, em Fora do Figurino. O diretor tem todo o direito de defender o seu ponto de vista (a defesa dos estudos antropométricos), mas ele basicamente coloca nas imagens cerca de cinquenta pessoas que não fazem nada além de concordar com ele. Não existe discussão, reflexão, diferentes pontos de vista. Todos entoam um mesmo eco: Precisamos de mais medidas!

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Francisco Brennand (Brasil, 2013)

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Como a escultura é uma arte da matéria e do espaço, o filme adotou um estilo cuidadosamente refletido para representar estas dimensões. Desde a grande mansão onde mora Brennand, até as centenas de esculturas e quadros que ocupam cada cômodo do local, a câmera percorre estes espaços em travellings lentos, progressivos. A observação é silenciosa, sem explicações de familiares ou especialistas. A câmera sabe oferecer ao espectador a oportunidade de observar por si próprio, e tirar suas conclusões. Esta é uma qualidade notável da direção: ela nunca subestima a inteligência do público.

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Linha de Ação (EUA, 2012)

| quinta-feira, 14 de março de 2013

As regras do "filme noir" estão presentes, somadas à trama sobre a faturação excessiva de uma transação imobiliária, para nos lembrar de que estamos em uma economia contemporânea. E os norte-americanos conhecem muito bem os males de que a especulação financeira é capaz...

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Mulheres Africanas - A Rede Invisível (Brasil, 2013)

| sábado, 9 de março de 2013

O fato é que os depoimentos versam sobre generalidades, ressaltando que as mulheres são importantes, fortes, necessárias – uma antropóloga inclusive lembra que é impossível procriar sem elas. Elas não emitem pensamentos sobre alguma ação social precisa, alguma medida política específica. Tratando de um tema tão complexo, o filme não investiga nem as causas da situação, nem as possíveis soluções.

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O Quarteto (EUA, 2012)

| sexta-feira, 8 de março de 2013

A música funciona apenas como coadjuvante na trama. O diretor Dustin Hoffman fez questão de colocar músicos reais como figurantes, mas esta preocupação é mais simbólica do que efetiva. Canta-se pouco, toca-se ainda menos. O quarteto principal, que teria se tornado famoso com uma interpretação magistral de Rigoletto, nunca revela seus dotes vocais atuais, durante a velhice. Mesmo os ensaios para o aguardado recital são mostrados sem som, criando grande expectativa para a prestação final dos quatro personagens juntos, no palco. (Neste sentido, a solução criada por Hoffman para a última cena é bastante surpreendente).

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Quem sou eu

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Estudante em teoria de cinema, pesquisador em história da crítica e editor do site AdoroCinema.
 

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