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O Passado (França, 2013)

| quarta-feira, 23 de abril de 2014

De seu Irã natal, Farhadi foi seduzido pelo convite de filmar um drama na França, que ofereceria uma estrutura de produção muito mais confortável do que a existente no Oriente Médio. O resultado foi O Passado, história que apresenta alguns dos atrativos que faziam de A Separação um filme tão inteligente, mas em proporções muito, muito menores. Talvez por estar menos familiarizado com a cultura francesa, Farhadi escolheu não fazer um grande tratado dos costumes locais, concentrando-se no drama de uma família específica, cujos conflitos não necessariamente refletem aqueles de toda a nação. Ou seja, enquanto A Separação - e também Procurando Elly e Fireworks Wednesday - portavam a ambição de serem retratos sociológicos, este novo drama adentra o terreno psicológico, através das ferramentas do melodrama.

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Divergente (EUA, 2014)

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É curioso o mundo de Divergente. Logo nos minutos iniciais, Tris (Shailene Woodley) explica direitinho ao espectador que, em um futuro não muito distante, a cidade de Chicago está destruída e os moradores foram separados em facções, de acordo com suas qualidades e escolhas. Como ocorreu essa separação? Ninguém protestou no início? O que havia antes da divisão? Por que estas cinco facções, e não outras? O sistema de divisão dá conta de profissões como agricultores (Amizade), advogados (Erudição) e guardas (Audácia), mas onde ficam os médicos, os artistas? O que fazem aqueles da Franqueza? Não se sabe.

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Pelo Malo (Venezuela, 2013)

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O título deste drama desperta curiosidade: “Pelo Malo”, em espanhol, significa “cabelo ruim”. O nome não foi traduzido pelos distribuidores brasileiros, talvez para não remeter a qualquer ideia de preconceito. Mas o preconceito é justamente o tema desta bela obra venezuelana, não apenas contra o dito cabelo ruim, mas também contra a homossexualidade, a pobreza, as mulheres etc. Pelo Malo é, de certa forma, um filme sobre a dominação e a injustiça em sociedades pobres.

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Hoje Eu Quero Voltar Sozinho (Brasil, 2014)

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Hoje Eu Quero Voltar Sozinho trabalha os conflitos da trama de maneira leve, terna. Os momentos pontuais de bullying praticados por um grupo de colegas não deixam grandes marcas em Leonardo; as brigas com os pais se dissipam em minutos; as disputas com Giovana apresentam uma evidente perspectiva de reconciliação. O universo não é hostil às minorias, pelo contrário: o garoto Gabriel (Fabio Audi), paixão de Leonardo, aparece logo na primeira cena, senta-se convenientemente atrás dele, e quando Gi perde seu grande amor, um aluno novo entra pela porta da sala de aula e sorri para ela. Este roteiro é romântico, até ingênuo, em sua preocupação zelosa e paterna de garantir a todo personagem sua devida cota de amor.

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Violet (Bélgica/Holanda, 2014)

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A sinopse do drama belga Violet informa que um garoto testemunha o assassinato de um colega, e depois passa a sofrer o trauma desta experiência. De fato, desde a primeira cena, o crime está presente, mas é difícil prestar a atenção em qualquer outra coisa que não seja a própria imagem. A direção de Bas Devos impõe-se de tal maneira que a estética parece o principal tema e único objetivo desta obra.

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Fugindo do Amanhã (EUA, 2013)

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No papel, a ideia de Fugindo do Amanhã parece ótima: um grupo de jovens decidiu fazer uma ficção nos parques da Disney, na Flórida, sem que o próprio parque soubesse do projeto. Como diversos visitantes locais também possuem câmeras e máquinas fotográficas, registrando tudo ao redor, seria possível passar despercebido e criar uma história envolvendo elementos que a Disney não possui: sexo, terror e a estética em preto e branco. O diretor Randy Moore merece os parabéns pela ousadia e pela criatividade. Mas ao invés de construir uma história subversiva e questionadora, Moore elaborou uma história que curiosamente tem pouco a ver com o universo de Mickey e companhia: o terror não vem do parque (como ocorreria com atrações defeituosas ou funcionários agressivos, por exemplo), e sim de um delírio muito pessoal do protagonista, Jim (Roy Abramsohn).

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As Filhas (Alemanha, 2014)

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É justamente pelo lado do intimismo e do retrato freudiano que parte o filme de Maria Speth. De maneira fria e precisa, a cineasta revela o percurso desta mãe, presa entre quartos de hotel e bares, sentindo-se impotente diante do conflito a resolver. Corinna Kirchhoff interpreta Agnes com uma elegância glacial, lembrando os gestos e expressões que tanto fascinam em outras atrizes mais velhas, como Charlotte Rampling. Nada de choro, nada de atuações em estilo Actor’s Studio: tudo em Kirchhoff é contido, interiorizado, em comunhão com a estética austera da diretora.

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O Dia do Mineiro (França, 2013)

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Este documentário fornece uma dimensão tragicômica desta profissão em vias de desaparecimento. Como um bom cronista, o diretor Gaël Mocaër registra as interações entre os profissionais, conferindo ao título O Dia do Mineiro um significado duplo e oposto: por um lado, torna-se algo especial, quando se refere ao feriado mencionado acima, que ocorre uma vez ao ano, por outro lado, diz respeito ao banal, ao cotidiano, ao “dia a dia do mineiro”. Mocaër atua nestes dois registros, buscando uma imagem especial nos gestos comuns destes homens.

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Não Se Preocupe (Alemanha/Suíça, 2013)

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Se a originalidade não é o ponto alto da história, pelo menos as opções estéticas de Jeshua Dreyfus chamam a atenção. O jovem cineasta suíço acompanha estes jovens com uma câmera livre, participativa, que faz do espectador um personagem a mais, inserido no meio da roda de risos, gritos e lágrimas. Apoiando-se nas imagens em grande angular, Dreyfus reforça a importância da natureza ao redor, sugerindo que o contato com as árvores e colinas é determinante para os abalos psicológicos que estão por vir.

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Planeta Solitário (EUA / Alemanha, 2011)

| domingo, 6 de abril de 2014

Planeta Solitário une-se a outras obras interessantes, como Mar Aberto, Meek’s Cutoff e A Faca na Água, em que a viagem de um pequeno grupo de personagens acaba se transformando em pesadelo pelos próprios perigos da natureza e da convivência forçada. O realismo surge como a estética perfeita do terror (nada mais assustador do que ver o tempo de passando, o perigo se aproximando...), por isso a diretora trata as cenas de maneira calma, com diálogos naturais, dando tempo aos atores para demonstrarem sua dinâmica de casal, suas brincadeiras, sua personalidade. É nesses tempos “mortos” que se desenvolve uma tensão crescente, fundamental para a adesão do público.

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Justin e a Espada da Coragem (Espanha, 2013)

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Esta simples fábula de autodescoberta e de amor familiar consegue superar a banalidade do gênero por uma combinação acima da média entre roteiro e técnica. Mesmo a conclusão encontra uma maneira de conciliar a tradição e a modernidade, sugerindo que um governo democrático deve se apoiar tanto nas leis quanto nos símbolos. Justin e a Espada da Coragem não é apenas divertido e bem realizado, ele é também muito mais maduro do que a maioria das produções do gênero.

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Sem Escalas (EUA, 2013)

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O filme só consegue sustentar 105 minutos de tensão no interior de uma aeronave porque traz o mundo exterior para este cenário. O diretor proporciona um verdadeiro desfile do arsenal tecnológico americano: celulares de todos os tipos, redes potentes em grandes altitudes, televisores que transmitem ao vivo o telejornal, smartphones que gravam vídeos e transmitem ao vivo as notícias para o mundo externo, em pleno voo. Se não fossem os telefones celulares e a Internet, Sem Escalas não existiria – e muitos filmes de ação contemporâneos teriam uma aparência completamente diferente.

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Vidas ao Vento (Japão, 2013)

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Para os fãs do animador Hayao Miyazaki, esta história pode ser ao mesmo tempo um prazer e uma decepção: um prazer porque o traço do autor continua belo, fluido, capaz de conferir muitos detalhes às peças metálicas do avião, sem precisar buscar o ultrarrealismo das animações atuais em 3D. Uma decepção, no entanto, porque diante de uma filmografia tão metafórica, onírica e fantasiosa, Vidas ao Vento é um filme surpreendentemente pouco criativo, concreto e rígido.

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A Gaiola Dourada (Portugal / França, 2013)

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Cada personagem tem um conflito de ordem cultural/social, em uma estrutura não muito sutil, mas capaz de tocar em várias questões importantes como a imigração, a condição precária dos trabalhadores, a vergonha ou orgulho da pátria, a saudade, a aculturação. Não que esses temas recebam um tratamento crítico: a ordem em A Gaiola Dourada é a leveza, a despretensão, de modo que a trama apenas toca nessas questões, sem jamais se aprofundar. A reflexão caberá ao espectador, e não ao filme.

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Pompeia (EUA, 2014)

| domingo, 23 de fevereiro de 2014

O diretor Paul W.S. Anderson parece se divertir muito com a câmera e com o potencial desta trama. Aliás, vale dizer que a história da cidade italiana e do vulcão Vesúvio é mero pano de fundo para o diretor massacrar uma população inteira em menos de duas horas. O título também poderia ser "Um milhão de maneiras de morrer em Pompeia": Anderson cria mortes por espada, correntes, asfixia, lava de vulcão, maremoto, esmagamento, apedrejamento... Tudo isso com o prazer de uma criança que brinca com bonecos e sonha com a destruição massiva de cenários imaginários.

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Um Conto do Destino (EUA, 2014)

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“Antes de entrar na sala de cinema, deixe o cinismo do lado de fora”. Essas foram as palavras dos atores Colin Farrell e Jessica Brown Findlay em uma das entrevistas sobre Um Conto do Destino. Os dois provavelmente já previam alguma dificuldade para o público aceitar a história com um estranho cavalo alado, milagres às pencas, pessoas que não envelhecem e Will Smith no papel de Lúcifer, ou “Lu”, para os íntimos. De fato, apesar de o livro original ser popular e respeitado nos Estados Unidos, a versão cinematográfica adota tão cegamente o tom fantástico que só pode ser aceita por um espectador profunda e sinceramente romântico.

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Rodência e o Dente da Princesa (Peru/Argentina, 2013)

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A qualidade da animação é respeitável para um filme que não dispõe de um orçamento hollywoodiano, embora a produção tivesse se saído melhor se tivesse buscado soluções criativas para as limitações da produção, ao invés de supor que o público-alvo (no caso, crianças bem pequenas) não se importaria com essas questões. Na ambição de fazer um filme épico, em 3D, esta animação cria personagens lisos, parecendo mais computadorizados do que reais. Os cenários dispõem de poucos detalhes (algo que a terceira dimensão só ajuda a reforçar), e mesmo os objetos segurados pelos personagens parecem não ter peso, consistência. O mundo de Rodência é claramente virtual, mais próximo da textura de um videogame.

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Ela (EUA, 2013)

| quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

O drama Ela parte da história curiosa de um homem que se apaixona por uma máquina. Este mote foi amplamente discutido, defendido por alguns e ridicularizado por outros, desde que o diretor e roteirista Spike Jonze anunciou o projeto à imprensa. Felizmente, o filme não se esgota nesta ideia criativa. Ele retrata as novas configurações do amor de maneira geral, e consegue transformar o relacionamento entre o escritor Theodore (Joaquin Phoenix) e o sistema operacional Samantha (Scarlett Johansson) em um dos mais belos romances que o cinema construiu no século XXI.

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Uma Aventura Lego (EUA, 2014)

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Explorando o estilo dos brinquedos Lego como motor criativo, ao invés de limitação, os diretores Phil Lord e Chris Miller criam cenas de ação e aventura como há muito tempo não se via. Na versão Lego, os fenômenos da natureza (maremotos, incêndios, névoa) ganham contornos esteticamente inovadores, instigantes, misturando a tecnologia digital mais avançada com o aspecto precário do jogo mecânico. As soluções encontradas para representar o movimento comprovam a criatividade dos diretores.

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Gloria (Chile, 2013)

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Esta personagem foge da maioria das representações de mulheres próximas da terceira idade. Ela não é uma mãe amargurada ou uma mulher divorciada de coração partido. Gloria tem uma sexualidade bem resolvida, é confiante em sua beleza e seu interesse. A direção de Sebastián Lelio aceita esta mulher como ela é, sem tentar embelezá-la, nem escavar seus traumas - não há psicologismos neste retrato naturalista.

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Alabama Monroe (Bélgica, 2013)

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Alabama Monroe abraça as regras do melodrama, e o faz de maneira curiosa. O filme alterna de maneira rígida cenas de alegria com cenas de tristeza. E nada mais. Não existem meios-tons: a montagem explora unicamente os instantes de clímax. Assim, são dezenas de cenas de euforia (o primeiro encontro do casal, a primeira transa, a descoberta da gravidez, o instante em que bebê começa a andar etc.) com cenas de depressão (a descoberta da doenças, as brigas, os acidentes).

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O Herdeiro do Diabo (EUA, 2014)

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É difícil escrever sobre um filme de terror como O Herdeiro do Diabo. Por um lado, a produção é competente: os diretores Tyler Gillett e Matt Bettinelli-Olpin compreendem bem as regras do found footage (o estilo com imagens supostamente amadoras, gravadas pelas próprias vítimas); os protagonistas, Allison Miller e Zach Gilford, têm atuações acima da média para esse tipo de filme; o montador sabe o momento exato de cortar as cenas e usar elipses. Talvez a maquiagem seja muito fraca, e o uso de som deixe a desejar em um gênero tão dependente de efeitos sonoros mas, de maneira geral, o conjunto é digno de outros filmes de terror como Atividade Paranormal, [REC] e afins. No entanto, não existe um único momento de originalidade no filme inteiro.

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Grand Central (França, 2013)

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Esta terra de homens másculos e de poucas palavras é a recriação de um cenário de guerra, cujo inimigo – a radioatividade – é incolor, inodoro e insípido. Já as poucas mulheres da usina desempenham funções mais simples (elas lavam as roupas dos homens), ocupando papéis secundários no filme. Neste contexto machista, aparece Karole (Léa Seydoux), mulher sem voz, sem opiniões, que namora Toni (Denis Ménochet) enquanto flerta com outros homens, inclusive Gary. A presença desta personagem motivou a maioria das acusações de misoginia em relação ao filme.

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Todos os Dias (Reino Unido, 2013)

| quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

O título do filme francês A Delicadeza do Amor serviria muito bem para descrever Todos os Dias, projeto tão ambicioso quanto minimalista. Por um lado, o diretor Michael Winterbottom teve a ideia inusitada de diluir as filmagens ao longo de cinco anos, gravando poucas semanas por ano, para captar o crescimento das crianças e o envelhecimento dos adultos. Por outro lado, a trama do filme inteiro caberia em um post-it: uma mãe de quatro crianças conta os dias para o retorno do marido, preso por razões desconhecidas.

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Pelos Olhos de Maisie (EUA, 2013)

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Os diretores Scott McGehee e David Siegel adotam a cartilha do cinema realista, com câmeras no ombro, luzes de aparência natural, pouca trilha sonora. A câmera acompanha o rosto dos personagens, acomodando-se a cada gesto e movimento dos atores no enquadramento. Este tipo de direção costuma ser um presente aos atores, e felizmente a novata Onata Aprile, no papel principal, limita-se a poucos gestos e frases naturalistas. Já o quarteto formado por Julianne Moore, Alexander Skarsgård, Steve Coogan e Joanna Vanderham tenta conferir humanidade a esta ciranda de adultos repreensíveis.

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Estudante em teoria de cinema, pesquisador em história da crítica e editor do site AdoroCinema.
 

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